Camiseta «Volta Para o Mar, Oferenda!»

Coleção «Humor Negro»

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Básico

Baby Look

«Volta Para o Mar, Oferenda!» é sinônimo para «me deixa em paz» ou «sai para lá, coisa ruim», só que de maneira mais enfática. Bem mais enfática aliás. Na cultura afro-​brasileira, há o costume de fazer oferendas aos deuses e às forças da natureza para obter equilíbrio, sucesso e felicidade. Oferecer flores ao mar é um costume tão consolidado culturalmente que extrapolou a comunidade afro-​brasileira e virou um costume de brasileiros em geral, das mais diversas crenças. O oferecimento de flores ao mar no Reveillon é a prova maior disto.

O mar, sítio de Iemanjá e Olocum, virou morada de uma grande mãe, que acolhe a todos os pedidos. Portanto, nada pior do que uma oferenda que não é aceita e volta para você, ou uma pessoa que se assemelhe a isto, tão ruim que nem a mais compreensiva das mães a rejeite.

A ilustração que compõe a estampa é uma interpretação da xilogravura «A Grande Onda de Kanagawa», de Hokusai (17601849). Quando pensei no mar, com suas ondas, logo me lembrei deste clássico de Hokusai. O mar de Hokusai, apesar de agitado e de suas ondas altas, é paradoxalmente suave por conta de sua técnica e composição delicadas, marcadamente orientais. Esta delicadeza na agitação serve de contraponto à indelicadeza do nosso tema, «Volte Para o Mar, Oferenda!», motivo central da estampa.

Fomos muito longe ligando Hokusai, oitocentista e oriental, às oferendas ao mar de Olocum e Iemanjá, afro-​brasileiras e atuais, para fazer o contraponto. Ou nem tanto…

O Shintô, tradição religiosa nativa do Japão, gira hoje em dia em torno da ligação do Japão atual com a sua ancestralidade. No centro desta tradição estão os Kami, «espíritos», «deidades» ou «essências» que têm a forma de elementos da natureza, animais, forças do universo, assim como de espíritos dos mortos. Sáo os ancestrais de clãs inteiros ou de toda a sociedade, como é o caso dos líderes carismáticos ou dos imperadores, que podem se transformar em kami depois da morte. Os Kami são a manifestação do Musubi, energia universal e vivem no shinkai, o mundo dos kami, que é paralelo e complementar ao nosso mundo.

O xintoísmo tem várias vertentes, com práticas que incluem o uso de amuletos (ofuda), oferendas aos deuses (na forma de comida, por exemplo, chamada de shinsen), consultas a oráculos (bokusen), curas espirituais e até a incorporação em médiuns (fugeki) de espiritos que vêm se comunicar com os vivos (o que é chamado de kamigakari ou takusen). Existe ainda a dança ritual (kagura) e as vestimentas sagradas (joe).

As semelhanças do xintoísmo com a tradição de matriz africana são, portanto, óbvias. Aí estão orixá, axé, fuxico, ebó, merindilogun, iawo, xirê e axó, só para citar alguns pontos de contato.

Há estimativas de que 119 milhões de japoneses sejam xintoístas, contando-​se qualquer pessoa que pratique qualquer ritual xintoísta. O perfil desta população é de um nível de educação alto, já que o índice de crianças matriculadas em idade escolar no nível primário é de 99,8%. Dentre os estudantes que se formam no nível ginasial, cerca de 96% dos estudantes prosseguem seus estudos no Ensino Médio e 38% , no ensino superior. Estes são dados do Consulado do Japáo em São Paulo (cf. http://​bit​.ly/​1​f​87​R​Q​r). Isto configura uma população altamente educada e ainda assim anismista, em uma sociedade de constraste da tradição com a tecnologia e a inovação, como é a sociedade japonesa contemporânea.

Hokusai registrou algumas cenas ligadas ao xintoísmo em sua obra. «Noboto Ura — A Costa de Noboto», «Kagura — Cena da Dança Ritual» e «Os Sete Deuses da Sorte» são alguns exemplos.

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