“O Jongo coloca a criançada no colo”, confira entrevista com Lazir Synval

EBC – 18 de novembro de 2015

Até pouco tempo, as crianças não podiam dançar o jongo. Isto mudou quando Vovó Maria Joana (1902 – 1986) – que fundou o Jongo da Serrinha e a escola de samba Império Serrano – colocou as crianças para participar na comunidade da Serrinha. A entrada dos pequenos na dança ajudou a popularizá-la e também fez parte da sua transformação em patrimônio imaterial da cultura brasileira.

Hoje, a criançada na Serrinha não falta a um encontro do grupo e Lazir Synval, diretora artística do Jongo da Serrinha e também sobrinha-neta da Vovó Maria Joana (link para matéria), ressalta a importância do papel das crianças pra manter viva a tradição do Jongo.

Lazir também se inciou aos 6 anos no grupo. “O jongo é uma manifestação cultural acolhedora e colocou a criançada toda no colo”, afirma A diretora artística também fala sobre a tradição do Jongo nos dias de hoje e a importância do Jongo da Serrinha para a cultura afro-brasileira.

Tambores

Lazir ressalta a influência do jongo na criação de outros estilos musicais como o samba, principalmente ao partido-alto.

Para ela, o tambor é de suma importância dentro das tradições africanas por que ele é considerado um orixá. “Ele que comanda. Em primeiro lugar você pede licença ao tambor”, explica.

Ela ainda nos conta um pouco sobre a história de sua família no Jongo e diz que a canção “Pisei na Pedra” é a preferidas da criançada jogueira da Serrinha: “Pisei na pedra/ A pedra balanceou/ Levanta meu povo/ Cativeiro se acabou”.